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Num auditório lotado, a campanha agrega mensagens de apoio

Centenas de pessoas num ato de resistência e declarações de apoio

“A campanha que estamos iniciando é um ato de resistência”, disse o reitor João Carlos Salles na abertura do lançamento da campanha da chapa Somos UFBA, no auditório da Faculdade de Arquitetura, na quarta-feira, 18 de abril, logo depois de prestar uma homenagem ao ex-reitor Roberto Santos. Referia-se às ameaças que a universidade pública vem sofrendo no atual cenário político do país e à necessidade de defendê-la como espaço de resistência e crítica. Abordou sua compreensão da UFBA como um projeto aberto e em permanente construção e destacou dois paradigmas que precisam ser quebrados no cenário da presente eleição: a ideia de que a candidatura única não mobilizaria as pessoas e, em razão disso, a impressão de que não haveria debates.

O ineditismo da situação de se ter uma chapa única submetida ao escrutínio da comunidade foi, a propósito, abordado por vários oradores do ato inaugural. Desde 1983, quando a UFBA iniciou o processo de consulta à comunidade para embasar a lista tríplice para reitor a ser enviada ao Ministério da Educação, esta é a primeira vez que há só uma chapa, e não chapas concorrentes. Portanto, há um indicativo forte de que uma unidade foi politicamente construída entre boa parte de distintas forças que existem no interior da comunidade universitária.

Mais adiante, João diria que o momento é de construção de uma rede argumentativa e de aprofundamento das discussões. “Vamos a cada unidade aprofundar o debate”, anunciou. E Paulo Miguez ressaltaria, decorrida boa parte do ato, a importância crucial de se ter uma participação expressiva da comunidade acadêmica na consulta marcada para os dias 22 e 23 de maio, o que vai assegurar uma representação forte e legítima dos candidatos e desencorajar decisões capazes de ferir a autonomia e os interesses da Universidade.

Miguez: participação expressiva da comunidade é crucial

Os oradores foram sendo chamados pelo reitor de modo a compor uma espécie de mosaico entremeado das várias representações que se encontravam no auditório.  Assim, Dulce Aquino, diretora da Escola de Dança, dona de uma carreira exemplarmente longeva na Universidade, foi a primeira convidada a falar, na condição de representante dos diretores das unidades de ensino. Ela ressaltou a capacidade de liderança do reitor, decisiva para que a universidade seguisse avançando mesmo diante das adversidades. “Nos últimos quatro anos, vi o amor à UFBA ser exercido em forma de resistência”, disse.

 

Dulce Aquino: amor à UFBA em forma de resistência

 

O pró-reitor de Pesquisa, Criação e Inovação Olival Freire compartilhou um pouco da experiência dos últimos anos, em que foi necessária muita resistência para garantir uma universidade de excelência com inclusão social. “A universidade pública, gratuita e democrática está ameaçada no Brasil”, alertou, destacando, entretanto, como grandes conquistas na UFBA, nos anos recentes, a adoção do sistema de cotas na pós-graduação e o edital para contratação de 70 professores visitantes. “João e Miguez têm em si torno de si as forças vivas de universidade”, disse.

Olival: cotas na pós-graduação foi uma grande conquista

A pró-reitora de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil, Cássia Virgínia Maciel, chamou atenção para as dimensões da UFBA, que envolve uma comunidade com mais de 50 mil pessoas, das quais, 36 mil estudantes em mais de 100 cursos de graduação, e defendeu a necessidade de aprofundamento das ações afirmativas e dos debates sobre questões estruturantes da sociedade brasileira, como as relações raciais.

Renato Jorge, representante dos técnicos-administrativos, destacou que a atual gestão trouxe a comunidade para debater dentro da Reitoria. “A nossa categoria saiu da invisibilidade e tivemos espaço aberto para o debate na atual gestão”, disse.

O professor Ricardo Miranda, diretor do Instituto de Física, destacou em sua fala justamente o ineditismo de uma campanha com chapa única na UFBA – na última, por exemplo, lembrou, foram quatro chapas. “Estamos aqui reunidos pensando no futuro”, disse, informando ao auditório ter apoiado outra candidatura na eleição de 2014. “A universidade vivia ainda um momento de crescimento, com um governo que tinha compromisso com a educação, momento bem diferente do atual”, avaliou Ricardo Miranda, que elogiou o posicionamento do reitorado em defesa da democracia brasileira. “A união das forças progressistas da universidade podem servir como exemplo para a política nacional”, concluiu.

Ricardo Miranda: união das forças na UFBA pode ser exemplo

A diretora do Instituto de Letras, professora Risonete Batista de Souza, também declararia seu apoio à reeleição de João e Miguez, reconhecendo os méritos da  atual gestão na defesa da universidade.

José Bites de Carvalho, reitor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), falou sobre a relação entres as duas universidades e apontou a UFBA como a matriz do ensino superior na Bahia. “A UFBA tem se afirmado também como um lugar de resistência”, disse o reitor, que aproveitou para reconhecer a condição de  João Carlos Salles para liderar a consolidação do fórum dos gestores da educação pública da Bahia.

Emiliano José, escritor, jornalista e professor aposentado da Faculdade de Comunicação, revelou sua admiração acadêmica e política de longo tempo por João Salles e sua parceria com Paulo Miguez na luta política e compartilhamento de ideais. “João não quis se equilibrar ‘em cima do muro’ e conduziu a universidade para a luta democrática contra o golpe e contra a retirada de direitos dos trabalhadores desse país”, disse.

Emiliano: universidade conduzida para a luta democrática

João chamou em sequência dois ex-pró-reitores de pesquisa para darem seus depoimentos:  José Sérgio Gabrielli, professor aposentado da Faculdade de Economia, e Jailson Andrade, professor recentemente aposentado do Instituto de Química. Luís Filgueiras, professor também da Economia, seria convidado logo depois. Gabrielli destacou o caráter da universidade como o centro de produção de conhecimentos que dizem respeito à sociedade nos mais diversos campos: político, econômico jurídico, artístico, etc. Ressaltou, mirando o atual momento do Brasil, que um projeto de nação precisa ser discutido no país. “Queremos uma sociedade em que as desigualdades se aprofundem ou uma sociedade mais justa e igualitária?”.

“Que esse reitorado de resistência traga a universidade para o século XXI, com uma nova e forte pós-graduação”, desejou Jailson Andrade, recentemente nomeado coordenador da área Interdisciplinar da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e, até alguns meses, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações.

Gabrielli: produção de conhecimento para a sociedade

Luiz Filgueiras disse que o atual reitorado tem liderança política, acadêmica e administrativa. “Essa gestão cumpre essas três dimensões de forma brilhante. O fato de termos agora chapa única revela a competência dos dois gestores à frente da reitoria, tornando-se um consenso na universidade”. Ele declarou que não apoiara a chapa na eleição passada e também se pronunciou sobre o cenário político do país: “O problema desse país são as classes dominantes, que não têm um projeto que se proponha a fazer a incorporação das demandas das classes subalternas. Somos uma nação incompleta. Assim não há possibilidade de conciliação”.

A vereadora Aladilce Souza observou que “essa unidade é um legado que João e Miguez deixam para a universidade e para a democracia brasileira”. Destacou sua coragem para avançar nos objetivos institucionais, mesmo diante do corte de verbas que a universidade tem enfrentado, e o diálogo permanente com a sociedade através de eventos como o Fórum Social Mundial, acolhido pela UFBA neste ano de 2018.

A vereadora Marta Rodrigues também observou que a universidade abriu as suas portas para as populações negra e indígena e movimentos sociais. A secretária  Olívia Santana também reafirmou o seu apoio  à chapa “Somos UFBA” e descreveu o ato na Faculdade de Arquitetura como um manifesto pela democracia que revela a conexão da atual gestão com um projeto de nação.

O vereador Hilton Coelho ressaltou a capacidade do atual projeto de aglutinar os vários setores sociais em defesa da universidade. “Acredito que a chapa única é fruto da ideia de que um grande potencial foi revelado”.

Quase no final do ato, Jorge Bonfim Santos, representante dos técnicos administrativos, em vez de falar sozinho, foi responsável por reunir todos os servidores técnicos que estavam presentes no auditório da Faculdade de Arquitetura no palco, junto com João e Miguez. Compôs uma bonita imagem e falou na companhia dos colegas.

Estudantes também tiveram a palavra:  depois de Carol Anice, que disse ser “preciso resgatar o sentido de luta nesses tempos difíceis para cumprir o papel que a universidade pública deve ter, com uma educação pública, gratuita e de qualidade”, falaram ainda Raquel Franco e Luciene Santana, do DCE e Natan Ferreira, da UEB, que trouxeram ao auditório, além do apoio explícito à chama Somos UFBA, questões ligadas à assistência estudantil e às ações afirmativas