NOTÍCIAS

Conclamação no debate: compareçam às urnas, votar é defender a universidade pública

Primeiro, aprofundou-se a discussão sobre as práticas e teses de governo que representam ameaça real e crescente à autonomia e à própria sobrevivência da universidade pública, gratuita, inclusiva e de qualidade. Depois, variadas vozes destacaram a competência de uma gestão que, mesmo em condições adversas, e a par do muito que há por fazer à frente, levou a instituição a melhorar todos os seus parâmetros, em quatro anos, enquanto a abria decisivamente ao debate. Debate, registre-se, no âmbito de sua própria comunidade e com a sociedade, em termos bastante amplos. Por último, estabeleceu-se o consenso de que é preciso garantir uma participação expressiva na votação dos dias 22 e 23 de maio porque ela representará um gesto forte e fundamental em defesa da universidade.

Tudo isso aconteceu durante o primeiro debate da chapa Somos UFBA com João e Miguez, candidatos à reeleição para os cargos de reitor e vice-reitor da Universidade Federal da Bahia para o período 2018-2022. As discussões começaram no fim da tarde e avançaram pelas primeiras horas da noite da quinta feira, 26 de abril, no auditório da Faculdade de Arquitetura. No final, os próprios integrantes da comissão eleitoral que presidiu a mesa de debates, Carol Nice, representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Renato Jorge Pinto, coordenador da Assufba, e Ricardo Fernandes Carvalho, vice-presidente da Apub, conclamaram os presentes a trabalhar por um comparecimento maciço das três categorias de votantes ­– professores, servidores técnicos e estudantes – às urnas, que estarão distribuídas pelas várias unidades.

Miguez, entre João e Renato: votar é defender a UFBA

No começo da sessão, o vice-reitor Paulo Miguez também destacou que “votar é defender a UFBA”. E tratou em seguida do significado de uma chapa única, em seu olhar, indicativa da compreensão da comunidade quanto à exigência de unidade neste momento, mesmo que diferentes grupos mantenham suas diferenças de visão e divergências. “Os desafios que serão apresentados neste e nos anos seguintes exigem nossa unidade”, disse.

O reitor João Carlos Salles também ressaltou essa singularidade que a chapa única representa. “Ficamos mais unidos, fomos capazes de estabelecer uma cumplicidade entre as pessoas que amam a UFBA e perceberam tanto a necessidade quanto nossa capacidade de resistir”.

Ele lembrou a campanha que o levou ao trajeto percorrido nos últimos quatro anos à frente da reitoria, o compromisso ali assumido de que seria construído o novo Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e realizado um congresso da UFBA para que a comunidade refletisse sobre si mesma em seu 70º aniversário. “Cumprimos as duas missões e acrescentamos a isso mais um congresso e o Fórum Social Mundial na UFBA”, disse.

Logo após a nova gestão ter assumido, em setembro de 2014, a situação política e econômica do país começou a mudar rapidamente, “as coisas ficaram mais difíceis”, e no cenário que se deteriorava, observou, “recorremos sempre à comunidade. Precisávamos oxigenar o debate em todas as nossas instâncias e conseguimos que cada uma se mobilizasse mais e formasse essa rede de cumplicidade fundamental para o projeto da universidade”.

A palavra golpe diz pouco sobre o que se deu no Brasil nesses últimos anos, segundo João. Uma rede de palavras seria necessária para dar conta de uma situação na qual uma aparente liberalidade orçamentária, no começo, como então alertava, poderia encobrir grandes ameaças à universidade pública no país.

“Depois da progressiva restrição da autonomia universitária e do aumento da asfixia financeira às instituições, tivemos registro, na última reunião da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior), que algumas autoridades do MEC defendem duas teses: 1. que não se deve dar um centavo a mais para a assistência estudantil, porque isso não seria responsabilidade da universidade, dado que não é uma atividade finalística”, relatou. “Mas nós entendemos que só com assistência se faz verdadeiramente ensino, pesquisa e extensão de qualidade. Toda expansão da produção do conhecimento precisa ser acompanhada por verdadeira inclusão”, contrapôs.

Essa questão provocou uma reflexão do reitor sobre a coexistência de uma UFBA que liberta com uma outra que pode favorecer sombras reacionárias. Durante décadas, a universidade formou elites e continuará a formá-las, mas a UFBA, instituição pública, enfatizou, precisa servir a nosso povo e à liberdade. “Por isso, tarefas fundamentais como o enegrecimento da UFBA, o combate a toda discriminação, não podem ser retóricas”.

A segunda tese de autoridades do Ministério da Educação relatadas em recente reunião da Andifes foi de que os recursos de investimento não devem estar no orçamento das universidades. Com isso, “podem vir a depender de uma relação de balcão com o MEC”. E isso dentro de um cenário em que a UFBA, por exemplo, dos R$70 milhões necessários para completar as obras em andamento neste ano, teve liberados pelo governo até o momento apenas R$6 milhões. Na situação ainda mais escandalosa da Universidade de Brasília (UnB), citou, a instituição arrecada como rendas de seu patrimônio próprio R$160 milhões por ano, mas o governo só libera limite orçamentário de R$110 milhões, retendo cerca de R$50 milhões, não tendo cabimento a acusação governamental de má gestão. “Está se represando o investimento necessário ao parque para ensino, pesquisa e extensão nas universidades, e só há uma maneira de enfrentar isso: resistir”, disse João.

(Veja tópicos do debate na matéria ao lado)